A partir do questionamento: "que pressupostos
e critérios devemos usar para selecionar as plataformas e as tecnologias
digitais mais adequadas para desenvolver o processo de ensino e
aprendizagem?", proposto pelo Professor Antônio Moreira, o fórum
de Ambientes Virtuais de Aprendizagem vivenciou momentos de muita
efervescência com discussões acaloradas sobre o assunto,
embasadas não só na bibliografia proposta, mas também em outros
ricos materiais.
Entre os temas debatidos, destaco:
- A necessidade de pensar na intencionalidade das plataformas educacionais e usá-las para atingir objetivos como conscientização cidadã e luta por um mundo melhor.
- O debate sobre o uso de redes sociais na educação e a importância de discutir seu uso em sala de aula.
- A percepção de que as redes sociais têm um papel na educação, mesmo que informalmente, e podem tanto educar como deseducar.
A seguir, listo uma de minhas participações, em que procuro responder ao questionamento inicial do professor:
Segundo Siemens e Tittenberger (2009), as mudanças
estão criando pontos de tensão em vários aspectos, entre os quais
destaco a questão da utilidade versus a transformação, a pesquisa versus a
resposta, o formal versus o informal, o aberto versus o fechado, o especialista
versus o amador, a profundidade versus a rapidez e sugere a necessidade de
se adaptar para permanecer relevante e, consequentemente,
encontrar novos pontos de equilíbrio. Mas como encontrar
equilíbrio nesse universo fragmentado e em constante transformação?
De acordo com Moreira (2016), é necessário estabelecer os modelos que servirão como base para o processo de ensino antes de selecionar as tecnologias, destacando sua essencialidade, mas reforçando que o professor (AH) é o elemento central nesse processo, por isso é fundamental que o professor tenha conhecimento e utilize as tecnologias digitais adequadas. Essa ideia é corroborada por Moreira & Horta (2020) que consideram o modelo híbrido uma abordagem mais atraente, permitindo a integração de diferentes categorias sem que elas sejam mutuamente excludentes.
De referir ainda que, segundo Moreira & Horta (2020), “...há que se considerar a riqueza da cultura que subjaz, nos universos axiológicos atravessados por cada recurso tecnológico.” Nessa perspectiva, percebe-se que cada universo axiológico tem suas próprias visões sobre a educação e o papel das tecnologias nesse processo. Por exemplo, um universo axiológico que enfatiza a autonomia e o "empoderamento" do aluno pode ver as tecnologias como recursos que permitem ao aluno aprender de forma autônoma e colaborativa. Já um universo axiológico que enfatiza a transmissão de conhecimentos e a disciplina pode ver as tecnologias como meios para transmitir informações de forma eficiente e controlar o comportamento dos alunos. Assim, é importante considerar não apenas as características técnicas das tecnologias educacionais, mas também os valores e crenças que as permeiam, a fim de entender melhor seu impacto no processo educativo e promover uma utilização mais crítica e consciente.
Nessa linha, Siemens e Tittenberger (2009)
destacam que “aplicar tecnologias sem pensar em como elas se encaixam no
ambiente de aprendizagem pode ser desastroso”, daí reforço aqui a necessidade
de se utilizar pressupostos e critérios a fim de selecionar as plataformas e as
tecnologias digitais mais adequadas para desenvolver o processo de
ensino e aprendizagem, considerando o universo axiológico norteador. Entre
esses critérios, pode-se listar:
- Objetivos
de aprendizagem: as plataformas e tecnologias digitais
selecionadas devem estar alinhadas com os objetivos de aprendizagem estabelecidos;
- Características
dos alunos: é importante levar em consideração fatores
como idade, nível de habilidade tecnológica, disponibilidade de acesso à
internet, entre outros;
- Recursos
disponíveis: deve-se considerar os recursos como
orçamento, infraestrutura tecnológica e suporte técnico;
- Interatividade/
Facilidade de uso: as plataformas e tecnologias digitais
selecionadas devem permitir uma interação efetiva entre alunos e
professores, bem como entre os próprios alunos, portanto devem “ser fáceis
de usar” e acessíveis para todos os usuários, valorizando a centralidade
no processo comunicacional (Moreira & Horta (2020);
- Flexibilidade: as
plataformas e tecnologias digitais devem ser flexíveis o suficiente para
permitir ajustes e adaptações, durante o processo de ensino e
aprendizagem;
- Segurança
e privacidade: as plataformas e tecnologias digitais
selecionadas devem garantir a segurança e privacidade dos dados dos
usuários, em conformidade com as leis de proteção de dados aplicáveis -
LGPD (Brasil) e o RGPD (União Europeia);
- Integração: as
plataformas e tecnologias digitais selecionadas devem ser capazes de se
integrar com outras ferramentas e sistemas (princípio da
interoperabilidade).
Portanto, reforço que encontrar equilíbrio em
um universo fragmentado e em constante transformação pode ser um desafio, mas a
adaptação é essencial para permanecer relevante e aqui fica o
questionamento: será que sistema educacional está se adaptando aos
novos contextos de forma coerente ou está apenas seguindo a moda, sem um planejamento
mais consistente?

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