Pular para o conteúdo principal

AMPLIANDO CONHECIMENTOS - Educação e Ambientes Híbridos de Aprendizagem

Moreira, J. A., & Horta, M. J. . (2020). Educação e ambientes híbridos de aprendizagem: um processo de inovação sustentada. Revista UFG20(26). https://doi.org/10.5216/revufg.v20.66027 


O artigo "Educação e Ambientes Híbridos de Aprendizagem. Um Processo de Inovação Sustentada" aborda a educação híbrida e o conceito de Blended Learning, que é a combinação de diferentes ambientes de aprendizagem com tecnologias digitais. O Blended Learning é altamente flexível e permite que o professor crie diferentes soluções de ensino e aprendizagem, oferecendo valiosas oportunidades de aprendizagem, já que cada ambiente oferece vantagens únicas.

Na introdução, os autores discutem a mudança na educação devido à globalização, evolução tecnológica e conscientização da mundialização em rede. Eles mencionam que a pandemia obrigou a migração para a educação online, destacando as possibilidades e desafios da Educação a Distância (EaD). Os autores defendem a Educação Híbrida ou Blended Learning como uma estratégia dinâmica que envolve diferentes recursos tecnológicos e abordagens pedagógicas. Eles acreditam que o Blended Learning pode ser implementado no ensino básico e secundário (Portugal) ou fundamental e médio (Brasil) com um planejamento cuidadoso e organização.

Considerando a taxonomia proposta pelo Clayton Christensen Institute, os autores apresentam mais detalhadamente quatro modelos de ensino e aprendizagem híbridos, que lhes parece “uma das propostas mais completas, estruturadas e integradas neste domínio”. Ao estudar essa taxonomia, optei por colocar em um mapa mental que apresento a seguir: 


Os autores apresentam ainda propostas de modelos de Blended Learning, comparando-os com a taxonomia de Clayton Christensen Institute. O modelo de Twigg (2003) propõe cinco modos de integração entre aulas presenciais e online, enquanto Bonk e Graham (2006) propõem três categorias de modelos, que representam fases de inovação crescente. Já Allen, Seaman e Garrett (2007) propuseram um referencial baseado na porcentagem de presencialidade física e virtual para a combinação de ambientes de aprendizagem.

Após essa apresentação de modelos, os autores destacam a importância da planificação cuidadosa e antecipada das atividades de aprendizagem em ambientes híbridos, considerando a combinação de ambientes físicos e virtuais. Eles enfatizam a necessidade de definir estratégias e atividades adequadas para cada ambiente, tendo em mente as competências a serem desenvolvidas pelos estudantes. Destacam a importância de um Guia Pedagógico, que tenha uma articulação horizontal e vertical inteligível, com o objetivo de informar os alunos sobre o que será aprendido, as estratégias e atividades envolvidas, e como eles serão avaliados. Lembram ainda que não existe um modelo único, sendo necessário dedicar tempo para a criação e seleção de recursos adequados para os ambientes virtuais e experimentar softwares e aplicativos intuitivos e adequados à metodologia a ser utilizada.

Moreira e Horta concluem dizendo que, nos últimos anos, houve um aumento significativo de experiências em blended learning no Ensino Superior, bem como em outras situações, como áreas remotas e situações de emergência. No entanto, para implementar essa abordagem de forma eficaz, é necessário considerar diversos fatores, tomar decisões baseadas no que é melhor para o aluno, além de ter um alto nível de competência e inovação por parte dos professores e dirigentes escolares. Destacam que é necessário também um quadro legislativo flexível que permita mudanças e estabeleça diretrizes para a estrutura do ensino e aprendizagem em blended learning, além de exigir formação nesse domínio para todos os agentes educativos.


Minha percepção:

Assim como os autores, concordo que esses fatores são essenciais, mas infelizmente, sua implementação, em alguns aspectos, não está ao alcance de professores e instituições, principalmente quando envolve as questões legislativas de um país! Apesar disso, acredito que o hibridismo em educação é um caminho sem volta, mas extremamente eficiente, porque combina o melhor dos dois mundos, oferecendo aos alunos a flexibilidade e personalização da aprendizagem online, combinadas com as interações sociais e práticas presenciais. Além disso, o modelo híbrido também pode fornecer soluções para desafios educacionais, como o acesso limitado a recursos e professores qualificados em algumas áreas. É importante, no entanto, que as instituições e professores sejam capacitados e apoiados para implementar efetivamente o modelo híbrido, garantindo que todos os alunos possam se beneficiar dessa abordagem inovadora. Destaco aqui dois trechos do artigo que considero essenciais nessa discussão:

“...esta mudança de abordagem só é possível se os professores e os alunos colaborarem ativamente neste processo, pois também depende das suas próprias capacidades de participar ativamente como indivíduos e grupos num espírito de criatividade e investigação.”

“...esta abordagem blended requer também um alto nível de competência e inovação por parte dos professores e dirigentes escolares e uma mudança no sistema educativo e nos seus mecanismos de apoio, a nível de legislação e estruturas, recursos, desenvolvimento profissional e garantia de qualidade.

E você o que acha? Acredita que o hibridismo é um caminho para a educação? 

Professores e dirigentes se dispõem a aprender para promover essa mudança?

Como vê essa questão da legislação?

Como podemos promover mudanças na legislação que permitam a incorporação desses novos modelos nos ensinos fundamental e médio?

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Discussão no VideoAnt

Em algumas Unidades Curriculares, deste semestre, fomos convidados a conhecer e produzir  atividades no  VideoAnt . E antes de falar sobre a atividade proposta na  UC Ambientes Virtuais de Aprendizagem , faço um parêntese para falar sobre esse  software,  criado por pesquisadores da Universidade de Minnesota com o objetivo de  explorar novas formas de interação com conteúdos de vídeo , a fim de  melhorar a aprendizagem e o engajamento dos usuários . É um software livre e de código aberto, o que significa que é disponibilizado gratuitamente para uso e modificação pela comunidade de desenvolvedores. Com o VideoAnt, é possível compartilhar vídeos anotados com comentários, legendas, links e outras marcações interativas, permitindo a seleção de trechos específicos de um vídeo e adição de anotações em tempo real. Essa ferramenta tem um  grande potencial para professores online  que podem interagir com os estudantes em torno de videoaulas, palestras...

AMPLIANDO CONHECIMENTOS: Ecossistemas Digitais em Rede (1)

Para estudar a temática 01 da Unidade Curricular de Ambientes Digitais, o professor indicou três materiais! Já deu para perceber que não consigo dizer o que quero em poucas palavras, né! Então  para analisar esses 3 materiais,  optei por fazer uma postagem para cada um!  Então vamos ampliar nossos conhecimentos sobre a obra   Modalidade da Pós-Graduação Stricto Sensu em discussão: dos modelos deEaD aos ecossistemas de inovação num contexto híbrido e multimodal ! O texto de Eliane Schlemmer e José António Moreira discute a evolução das modalidades de educação a distância (EaD) na pós-graduação stricto sensu e como essas modalidades se adaptam ao contexto híbrido e multimodal de ensino atual. Eles também abordam a importância da inovação em ecossistemas educacionais, destacando as transformações recentes no contexto de ensino e aprendizagem, como a adoção de metodologias ativas, o uso de tecnologias digitais e o foco na aprendizagem centrada no aluno. O texto ...

Pressupostos e Critérios na Seleção de Plataformas e Tecnologias Digitais

A partir do questionamento: "que pressupostos e critérios devemos usar para selecionar as plataformas e as tecnologias digitais mais adequadas para desenvolver o processo de ensino e aprendizagem?", proposto pelo Professor Antônio Moreira,  o  fórum de Ambientes Virtuais de Aprendizagem  vivenciou momentos de muita efervescência com   discussões acaloradas  sobre o assunto, embasadas não só na  bibliografia proposta , mas também em outros ricos materiais.  Entre os temas debatidos, destaco:  A necessidade de pensar na intencionalidade das plataformas educacionais e usá-las para atingir objetivos como conscientização cidadã e luta por um mundo melhor. O debate sobre o uso de redes sociais na educação e a importância de discutir seu uso em sala de aula. A percepção de que as redes sociais têm um papel na educação, mesmo que informalmente, e podem tanto educar como deseducar. A seguir, listo uma de minhas part...