Siemens,
G & Tittenberger, P (2009). Handbook of Emerging Technologies for
Learning. https://www.bucks.edu/media/bcccmedialibrary/documents/academics/facultywebresources/Handbook_Emerging-Technologies.pdf
O
"Handbook of Emerging Technologies for Learning" está dividido em
oito capítulo e explora as mais recentes tecnologias educacionais e como elas
podem ser aplicadas no ensino e aprendizagem. Os autores, George
Siemens e Peter Tittenberger, discutem temas como o uso de
tecnologias de redes sociais, ambientes de aprendizagem pessoais, jogos
educacionais, tecnologias móveis e computação em nuvem. O livro também
aborda o impacto dessas tecnologias na educação superior e nas organizações de
aprendizagem corporativa. É um guia prático e teórico para educadores e
pesquisadores interessados em explorar o potencial dessas tecnologias
emergentes para aprimorar a educação.
O
capítulo "Change Pressures and Trends" discute as
mudanças significativas que estão ocorrendo na sociedade, na economia e na
tecnologia, e como essas mudanças estão afetando a educação e a aprendizagem.
Os autores destacam as mudanças no mercado de trabalho, a globalização, as
novas tecnologias e a crescente diversidade demográfica como fatores que estão
transformando o cenário educacional. Eles também discutem as pressões e
tendências que estão impulsionando a adoção de novas tecnologias para
aprendizagem, como a necessidade de personalização e adaptação aos diferentes
estilos de aprendizagem dos alunos, a demanda por flexibilidade e mobilidade, e
o papel crescente das redes sociais e dos recursos educacionais abertos. O
capítulo apresenta uma visão geral das principais tendências e desafios que a
educação está enfrentando atualmente e como as tecnologias emergentes podem ser
usadas para enfrentá-los.
O
capítulo “What we know sabout learning” aborda como o
entendimento dos educadores sobre o processo de aprendizagem evoluiu nas
últimas décadas. Do behaviorismo, que enfatizava comportamentos externos e
observáveis, ao cognitivismo e ao construtivismo, que abordam melhor as
complexidades da aprendizagem, destacando que recentemente, as ciências da
aprendizagem forneceram aos educadores um corpo de pesquisa interdisciplinar
que pode ajudá-los a desenvolver atividades e abordagens de aprendizagem
eficazes. Destaca que a aprendizagem é um processo social,
que ocorre em um contexto específico, em que os estudantes precisam de
“oportunidade para refletir” e que essa aprendizagem incorpora uma série de
teorias, engajamento, "experimentação" ou bricolagem e construção
ativa. O texto questiona se formar conexões entre informações e se expor a
redes ricas de conteúdo e conversas é suficiente para gerar aprendizado e
conclui dizendo que “... the role of teaching is one of guiding,
directing, and curating the quality of networks learners are forming”, em
tradução livre o equivalente a dizer que “... o papel do ensino é guiar,
direcionar e curar a qualidade das redes que os alunos estão formando”.
O
capítulo “Technology, Teaching, and Learning” discute o
papel da tecnologia no ensino e na aprendizagem, destacando que a tecnologia
tem sido usada para melhorar a comunicação e a educação. Além disso,
enfatiza que a tecnologia emergente tem um papel crescente na criação,
compartilhamento e interação em torno do conteúdo, destacando sua importância
para aprimorar a mente humana. Trata de PLE, LMS, Online Learningg, Blended Learning, discute
a neutralidade da tecnologia, os traços e mentalidades necessários para ensinar
com sucesso usando a tecnologia, além de apresentar quatro tipos de atividades
de ensino e aprendizagem: disseminação, discussão, descoberta e demonstração que,
segundo os autores, são realizadas de maneira diferente, conforme a era em que
estão inseridas: mecânica, eletrônica ou digital. Conclui dizendo que “...Innovations
expand what is possible, but in most cases, before broad implementation,
additional research and contextual analysis is required.”, ou seja, as
inovações ampliam as possibilidades, mas é preciso realizar pesquisas e
análises do contexto antes de ampla implementação.
O
capítulo “Media and technology”, mostra que uma transição da
epistemologia para a ontologia sugere que mídia e tecnologia precisam ser
empregadas para gerar aprendizes capazes de participar de ambientes complexos,
questiona ainda se a mídia é apenas um veículo ou se torna um influenciador.
Destaca ainda que há muitos formatos de mídias disponíveis e, para selecionar o
que vai ser utilizado, deve-se considerar a forma de apresentação do material,
a interação e os objetivos de aprendizagem, além de sua disponibilidade,
mostrando aspectos positivos e negativos, além dos possíveis usos de algumas
mídias: texto, áudio, visuais, vídeos, jogos e simulações, leituras online.
Conclui ressaltando que a integração adequada dos formatos de mídia apresenta
aos estudantes uma aprendizagem rica e variada, além de minimizar as fraquezas
de cada formato.
O
capítulo “Change cycles and future patterns” começa com
muitos questionamentos sobre mudança, destacando que a mudança é um processo
complexo que envolve reações a pressões, catalisadores, resistência e
negociação. Embora a mudança seja proeminente, não é estudada como um campo em
si mesmo, o que sugere que é importante entender como ela ocorre para nos
adaptarmos a ela de maneira mais eficaz. Reforça ainda que as tendências atuais
- globalização, turbulência econômica, trabalho criativo e o design em rede das
organizações estão exercendo pressão sobre as organizações para repensarem sua
abordagem em relação à aprendizagem.
No
capítulo “New Learners? New Educators? New Skills?”, os
autores discutem as diferentes abordagens de aprendizagem, explorando a relação
entre a presença ou ausência de orientação na aprendizagem e o papel do
educador na era digital. Em geral, é se a aprendizagem deve ser guiada ou
mínima, com alguns autores argumentando que a orientação é essencial para o
sucesso da aprendizagem e outros defendendo a auto orientação e a descoberta. A
discussão também envolve a importância do papel do educador, que pode ser visto
como um curador (Siemens), um administrador de rede (Fischer), um concierge
(Bonk) ou um ateliê de aprendizagem (Brown). Além disso, o texto explora o
papel das tecnologias na aprendizagem, incluindo a importância das redes
pessoais de aprendizagem (PLEs) e do acesso a informações online e destaca que
a aprendizagem pode ser eficaz tanto com a presença de orientação quanto com a
ausência.
Os
capítulos "Tools e Research" falam sobre ferramentas
(Twitter, blogs, wikis, podcasts entre outras) e sobre Pesquisa (fazendo
distinção entre a pesquisa tradicional e a pesquisa DBR (Design-based
research), respectivamente.
E,
para finalizar, os autores concluem que o uso da tecnologia na aprendizagem é
influenciado por várias áreas, incluindo a tecnologia em si, tendências
globais, tendências sociais e tendências dentro da pesquisa educacional. Ele
argumenta que grande parte da mudança na educação nas últimas décadas se
concentrou na discussão do conteúdo, como o que deve ser ensinado e como deve
ser ensinado, mas pouco se falou sobre o modelo e processo de design e entrega
de aprendizagem em um mundo impregnado pela tecnologia. Eles argumentam que as
pressões de mudança enfrentadas na educação hoje exigem uma abordagem mais
profunda do que simplesmente mudar o conteúdo ou a pedagogia. Os líderes e
administradores da educação devem repensar o papel da academia em um mundo de
constante mudança e hiperconectividade. Para os membros individuais do corpo
docente e os departamentos, o uso crescente da tecnologia emergente pode servir
como um importante processo de transição entre o papel tradicional da educação
e o futuro ainda não claramente definido. Através de um processo de
experimentação ativa, o autores esperam que a academia desempenhe um papel
proeminente como uma instituição de expansão de conhecimento e tomada de
decisão em busca dos mais altos ideais da humanidade, respondendo às necessidades
dos alunos e da sociedade.
MINHAS CONSIDERAÇÕES:
Apesar das dificuldades devido às limitações em relação ao inglês, considero uma excelente fonte de informação e conhecimento sobre as mais recentes tecnologias emergentes aplicadas à aprendizagem. uma vez que fornece informações detalhadas sobre uma ampla gama de tecnologias de ponta, como inteligência artificial, realidade virtual, gamificação e análise de dados educacionais, além de explorar como essas tecnologias podem ser aplicadas.
Em Sobre a mudança e o tornar-se (becoming), tive muita dificuldade em compreender a afirmação de Jean Braudrillard de que “We are in a chameleonesque era, able to change but not able to become.”, mas depois de uma análise mais detalhada consegui perceber que, segundo ele, vivemos em uma era em que somos capazes de nos adaptar e mudar constantemente, assim como um camaleão muda de cor para se camuflar em diferentes ambientes. No entanto, apesar de nossa capacidade de mudar, não somos capazes de nos transformar completamente em algo diferente do que somos, ou seja, não podemos mudar nossa essência ou identidade de forma radical.
Esses e outros aprendizados, fazem com que considere o livro altamente recomendável para profissionais de educação, pesquisadores e estudantes interessados em explorar o campo das tecnologias emergentes na aprendizagem, pois os autores foram capazes de oferecer uma revisão bem ampla e atualizada da literatura existente sobre essas tecnologias emergentes e seu potencial impacto na aprendizagem.
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Até breve!
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